julho 18, 2013

Carta à Ega



Querida Mariana - querida Ega - às vezes chove cá dentro. Treme uma luz como a que chove sob o rodapé do chão do meu quarto em forma de luz de presença. Deitei-me no chão para te escrever, já viste isto?
Quando te digo que chove cá dentro é porque sucumbi à praga do amor, ou pelo menos da atracção. Estou em amores por um assassino, mas na verdade o ódio pelo seu mistério é tanto, que nem sei que doença é esta. Tenho que lhe parar com os elogios.
De qualquer das formas escrevo-te e aviso-te da minha condição, porque és a Ega, e ambas sabemos que as paredes dos nossos corações são revestidas de um século desanove. De uma existência anterior à nossa, que não sangra mas palpita.

Um beijo,

Mariana

4 comentários:

  1. eu bem tento, mas o karma é uma foça universal que eu não entendo muito bem.

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  2. Eu não tenho medo da noite, só quando não estou acompanhada.
    E escreves tão bem!

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