janeiro 29, 2011

I'm into...


Não sei se muita gente ouve Beethoven ou aprecia qualquer tipo de música clássica. Compreendo. Mas ás vezes se fecharmos bem os olhos, nem que seja no meio da rua, sem medos e sem vergonhas, ou no meio de centro comercial e escutarmos com atenção lá está ele. Um zumbido pequenino que se transforma em magia e nos entra pela audição em forma de violinos e flautas transversais. Eu acho bonito. Aliás admiro muitas coisas. Já gostei mais de coisas estúpidas e imbecis, e ainda continuo a gostar um pouco. Persisto em conservar a parte de mim que sei que toda a gente vai reconhecer daqui a muitos anos. É isso que nos define. O nosso sorriso, o nosso choro, o nosso jeito de andar e até o modo como pousamos delicadamente ou não um copo em cima da mesa. A maneira como observamos os outros pelo canto dos nossos olhos e até mesmo a cor deles. Azul, verde e os castanhos. Os castanhos que eu tanto adoro e não tenho. Sou filha de Carneiro mas sou peixe. Sou peixe que nada em águas azuis mas que às vezes tem medo de enfrentar os tubarões.

Já fui menos capaz de enfrentar os males do mundo. Hoje aceito-os ,repelo-os de todas as maneiras mas de vez em quando até os ignoro. Continuo a preferir o outro lado do mundo. O lado que atravessa a parede transparente e se desfaz em coisas bonitas.

Gostava de perceber porque raio não consigo dar o salto de lá que muitas vezes precisava, gostava tanto de saber. Eu gostava de fazer e ter muitas coisas. Não gostava de ter muito dinheiro, não porque não precisasse mas porque sei que iria ser mais sozinha com ele e a minha vida seria mais vazia de compaixão e amor. E eu sempre precisei e sempre vou precisar do amor para sobreviver a este caos da minha vida.

Eu gostava de conseguir andar de saltos altos pelo menos durante uma noite. Gostava de dançar com um vestido preto bonito e gostava que me levassem a jantar num sítio calmo e agradável. Gostava de ver os golfinhos de perto e poder tocar-lhes. Gostava de ver os esquilos em Londres e de provar o vinho do Sul de França.

Gostava de gostar menos dos outros e infligir menos dor a mim própria. Gostava que muitas crianças do mundo pudessem adormecer descansadas numa cama decente. Gostava de poder dar uma cama a todos os meninos e meninas que precisassem até que o IKEA ficasse sem stock de camas e lençóis.


Se ganhasse o euro milhões não contava a ninguém. Fazia tudo às escondidas surrateiramente e fazia pequenos milgares para aqueles que mais amo. Gastava o dinheiro em realizar os sonhos da minha família, da minha melhor amiga, do meu cão e aí depois partia para aquelas que saberiam tomar bem conta dele. The children.



Gostava de fazer essas coisas todas, porque sem desejos não conseguimos viver. Sem isso e sem objectivos morreríamos de tédio num instante .


Gostava de receber a melhor surpresa da minha vida no meu aniversário. Não precisava se prendas nenhumas, e que Deus o diga, que gostava tanto de puder dar um beijo a cada uma das pessoas que me fazem falta nesse dia. Seria o melhor aniversário que eu poderia ter.



Eu gostava.

janeiro 27, 2011

ragú rápido

No outro dia o meu pensamento tropeçou num rapaz jovem. Estava nos seus vinte , aparentava uma beleza, não diria extraordinária, mas interessante, curiosa. Do tipo que procuramos saber mais e ansiamos por um novo encontro.
Mentiria se dissesse que não fiquei um pouco aprimorada com a imagem que estava na frente dos meus olhos.
Aproximei oficialmente o meu corpo em direcção à sua figura e fiquei eternamente comovida com o jeito das suas mãos ao carregarem uma pasta castanha já gasta pelo tempo. Senti-me recuada no tempo do meu pintor preferido e por momentos vi-o sorrir para mim.
Reconheci-lhe o cheiro mais tarde quando se veio adivinhar um amor sóbrio e vivaz.
Senti-me criança outra vez e por várias noites vesti um vestido preto, cautelosa, calçei uns saltos comfortáveis e fomos dançar para o meio da celebridade da vida.
Muitas dessas vezes fomos cúmplices e contámos pequenos segredos e brincadeiras ao ouvido um do outro.
Brincámos em piqueniques e comemos guloseimas e bebemos bom vinho em jantares inesquecíveis.
Amámo-nos por muito tempo e sentimo-nos um dentro do outro tantas e tantas vezes, como em modo de escondidas, em noites de amor sincero. Por baixo de um foco leve de luz amámo-nos até de manhã.
E agora que me cruzo de novo com a sua figura sorrio como se fosse a primeira vez que o fizesse e corro para os seus braços. Suficientemente caloroso para lhe chamar de meu amor verdadeiro. Parte de mim.




E hoje o ragú ficou quase que perfeito. Ás vezes consigo sentir o cheiro de cada ingrediente no ar seco da rua e da casa. Quando não sou invadida de um cheiro comfortável a canela ou o café acabado de fazer de manhã.

Bebi um copo de vinho, mas logo torci o nariz. O sabor não era o mesmo de ontem e interroguei-me no que terá acontecido ao forte sabor do tinto que veio da Quinta da Coelheira do Alentejo. Se calhar perdeu-se

janeiro 26, 2011

audrey


um dia vai ser outra vez bonito usar batom vermelho e colar de pérolas. afinal o chique nunca esteve fora de moda .

janeiro 25, 2011

kitchen goddess



Gosto muito de ti :)
And who doesn't like you?

janeiro 24, 2011

chicago

Escrevi esta carta ontem à noite e imaginei que o remetente a leria, sorriria e guardaria a carta no bolso como tantas outras vezes.



"Eu sentei-me ao balcão. O dia estava ventoso. Enquanto me dirigi para o café protegi os meus cabelos com um lenço castanho.
Tirei-o e coloquei-o em cima da mala na cadeira ao lado, quando tu, um rapaz fora do comum, murmuraste umas quantas palavras e convidei-te para te sentares na cadeira disponível.
Falámos sobre o sentimento que te transmitia viver em Nova Iorque e o que me levava ali.
Gostei dos teus traços, da maneira descontraída dos teus lábios se moverem e do teu cabelo rebelde. Sei que posso parecer viril mas ao convidares-me para o baile e ao apareceres naquele fato, entraste em mim, no meu coração de uma maneira que nunca tinhas feito antes. Desafiaste as leisda natureza do século XXI e fizeste o meu coração sorrir.
Gostei muito dessa noite. Agradeço-te por isso e por tantas outras coisas que me proporcionaste.
Sinto o teu cheiro em poucos sítios, os que me fazem sentir bem. No mercado, onde comprei as laranjas que te falei no nosso encontro no café, junto ao rio onde me levaste uma destas noites. Foi óptimo sentir o cheiro do rio e sentir o toque das tuas mãos entrelaçadas nas minhas. Foi a primeira vez que te manifestaste assim.
A nossa intimidade comforta-me, por isso gosto tanto de ti. És delicado, distante de um modo apelativo e cada vez reconheço mais o teu rosto em mim.
Cada vez tenho mais a certeza que te amo. Tenho essa certeza quando me levas a passear, quando me raptas a meio da noite e te sinto dentro de mim no meio dos lençóis do teu apartamento.
Tens uma casa para dois e vives sozinho. No primeiro jantar que me preparaste tinhas uma mesa para dois, dito por mim, e tornaste o convite oficial numa questão de segundos. Foi a primeira vez que me seduziste com o teu charme que nos tornou tão cúmplices.
Tive essa certeza quando te vi enamorado por mim mesmo nos momentos mais distantes e difíceis.
Gosto de ti meu querido, e tenho a certeza de que quando te vi no café naquele dia de Outono que levantava poeiras e movimentava árvores, foste tu que me encontraste a mim e desde aí, os dias têm-se tornado num Verão caloroso com cheiros de mar e sal na nossa pele.
Estou feliz por ser tua."










Hoje quando passei pelos correios para mandar um pequeno mimo à minha melhor amiga, esperei na fila pela minha vez e quando dei por mim tinha as pupilas dos meus olhos azuis coladas a um pequeno expositor com CD's de músicas de todos os géneros. Mas um deles destacava-se pela capa antiga que tinha como título 'Chicago'. Pensei estar noutra era mas era verdade, e por apenas 3,80 euros ganhei um presente para me levantar o ânimo.







Voltei para casa e decidi procurar pelos filmes do James Bond. Apetecia-me Timothy Dalton e aquele are ar sedutor típico de homem inglês e comi duas fatias de pão tostado no forno com manteiga.


Sinto que hoje tenho pouco a dizer por isso deixo-te um pouco de verão, porque se não fosse eu, não seria mais ninguém a desejar o verão em pleno inverno, e o frio gelado em pleno verão.
até depois












janeiro 23, 2011

another time


Uma correria constante. Pensei estar noutra era. Os resultados já todos sabíamos quais seriam, mas mantemos sempre uma pequena esperança como na época das carrinhas dos gelados. Outros tempos.

O homem que passou por mim pensei ser um senhor de outro tempo, envergava uma gabardine preta, uma pasta castanha e um papel branco nas mãos e corria como se pudesse salvar o país de uma possível catrástrofe política.

Estávamos em leilão presidencial e os grandes valores pertenciam aos pequenos candidatos. Safaram-se os pequenos e voltámos à realidade dura e cruel.


De repente as ruas retornavam ao mesmo aspecto, luzes neónicas abafavam os olhares e adormeciam a população. Quadros já não seriam exibidos em grandes galerias e música clássica já não acompanharia um casal jovem na pista de dança de uma casa da alta burguesia no coração da cidade.

Os beijos perderam-se e o sexo voltou a ser rivalista. Puro acto físico, sem o amor aliado aos corpos que entram um no outro e se pertençem para sempre.

Famílias separaram-se e apenas por um dia partilharam um sonho único de se reunirem à mesa do jantar e comerem uma refeição quente na companhía da lua emponente no céu.


O rio secou, as flores quebraram o encanto e gelaram com a geada. Os animais esconderam-se nas suas casas e a Igreja parou o sino da missa.


Tudo se calou. Um sonho acabou e uma almofada suada afastava-se do rosto de alguém que mora num rés-do-chão.



Um perfume dispersou-se e um corpo morreu.

Um grande pintor ficou sem forças e uma bailarina partiu o pé.



Um país faliu.



janeiro 22, 2011

spirits


Eu acho que se pode amar ao ponto da morte não apagar a memória. Acho que um sentimento nos pode sobreviver e voltar a dar-nos vida. Acho que o tempo pode reunir eternamente aqueles que se amam com força suficiente para nao perderem esse amor.Acho que isso é possivel meu queridos, com voçês.


Por isso esta música é vossa :D


(amo-te best)

video

Les eaux de mars

"Deus é o nome que as pessoas dão à razão de estarmos aqui" dizia Stephen Hawking, exibindo-se numa pequena fotografia da revista visão que ontem li enquanto estava no café junto do cinema.

Ontem fui ver o filme " O Turista". As críticas eram más e por momentos pensei não ter companhía para o serão, mas lá fui com os meus irmãos na esperança de termos uma noite um pouco para o divertida. Mal sabíamos nós no que nos estávamos a meter.




Entrei sozinha num desencontro com o meu irmão e a minhã irmã e sentei-me num dos bancos mais afastados do ecran.




Na sala reinava um silêncio confortável e respeitador. Pensei estar acompanhada por alguém mas logo me apercebi que estava completamente sozinha comigo mesma. Peguei no meu bloco e vingir ver um rapaz a descer pelas escadas da sala e dizer poucas palavras. Nas letras que colei ao papel sonhei com uma companhía diferente num pequeno restaurante, ao som da música que saía dos autifalantes da sala. Uma rapariga francesa cantava Les euax de Mars e descortinava o prazer em mim da sua companhía. Fui interrompida pelos meus irmãos e esperámos pelo inicio do filme.



O pior é que apenas meia hora mais tarde do previsto a película começara a rodar normalmente. Primeiro anunciaram o trailer do filme e disseram que iria ser exibido na sala ao lado, quando esse mesmo filme seria visto na sala 2 onde estávamos todos à espera de o ver.


A noite era ainda uma criança, e a Clara e o Jonathan ainda estariam no solar inglês a trocar olhares, segundo o livro do Levy.


Acenderam as luzes e abriram as cortinas do ecran e uma sucessão de risos segui-se durante mais 5 minutos. Senti que o meu estômago não ía aguentar.



Depois desses 5 minutos fecharam de novo as luzes para finalmente exibirem o filme. Mal sabíamos nós que o melhor ainda estava para vir.




Passados 5 minutos os risos fizeram-se ouvir quando a película que começara a rodar era a película de um filme que só iria estrear na semana seguinte.


Parecia brincadeira mas não era.



Quando as barrigas se cansaram de tanto riso e tanta piada finalmente apagaram as luzes e exibiram o filme esperado.



No final um Jonnhy Deep disfarçado de professor de matemática seduzia a bela Angelina Jolie para mais um filme de acção.







Quis contar-te primeiro este acontecimento porque é recente e porque me apercebi que realmente tinha alguém querido à minha espera e que tenho alguém que me ama. Quando cheguei do cinema na minha distracção da noite e embalada pelo vento malicioso que soprava na rua recebi uma pequenina mensagem que me aqueceu o coração e me fez vestir o corpo de vermelho e ter um homem a conduzir-me numa dança. Um homem não. Um rapaz. Um rapaz que compreende o amor.



Isso.


E quero dizer-te que foram os melhores 50 anos que podia ter dado ao meu pai. Ao fim da noite mergulhámos em álbuns de fotografias e rimos na companhía do champagne até às 2 da manhã.



Escrevo-te mais cedo porque hoje vou hibernar nos trabalhos de casa de matemática e em filmes de sábado à tarde porque o tempo não está para grandes passeios no jardim.




Espero ver-te amanhã num dia menos frio e com mais sol.



E até lá esperimenta umas receitas italianas. Mete uma mesa bonita, veste qualquer coisa bonita e surpreende alguém que gostes.

janeiro 20, 2011

transeuntes

Tenho a mera sensação de que hoje vou atingir a overdose de chocolate. Não que saiba mal, porque de vez em quando devemos mimar-nos e estragar-nos com pequenos prazeres a que normalmente chamamos de proibidos.


Quando entrei no café pelas 4 da tarde e provei um capuccino com natas e um pão de leite com fiambre a acompanhar, reparei no senhor que estava sentado numa pequena mesa junto da janela. Ele lia o jornal religiosamente e quando se dirigiu para a saida deixou cair a caixa dos óculos. Pediu-me as sinceras desculpas quando nem tinha dado pelo incidente. Uma simpatia. E quando a mesa ficou sozinha no seu sossego a banhar-se com os raios de sol de inverno que lutavam para entrar no pequeno espaço, a mesa subitamente iluminou-se e a minha mente elevou-se dali.















Tenho estes momentos muitas vezes durante o dia. E naquele momento imaginei as personagens principais do livro a trocarem sorrisos e olhares cúmplices como se ninguém estivesse ali.


Depois de uma sessão de risos entre amigas, abandonei o café e fui festejar a parte 1 do aniversário do meu pai no trabalho da minha mãe. Ela gere um cabeleireiro.


Não bebi champagne porque sinto que estremeço quando sinto as bolhas de gás a percorrer o meu estômago.


Mas observei as caras felizes das empregadas a beber o borbulhante acompanhado de um bolo de chocolate.

Mais tarde quando regressava da rua sozinha na escuridão do dia, saboreei as montras das pequenas lojas, a drogaria e o pequeno atelier de costura. Interrogei-me se realmente alguém frequentaria o espaço ou alguma jovem sedenta de um pequeno momento de magia na companhía de um rapaz pediria um vestido que lhe acentuasse a cintura e que exibisse o seu batom vermelho e desse destaque aos sapatos a condizer. Apenas uma rapariga simples que teria mãos de fada e asas de borboleta escondidas nas costas cansadas do trabalho.



Despedi-me da rua e depois da aula de inglês corri para uma omeleta especial para acompanhar o resto do jantar.

Espero falar contigo amanhã para te contar a festa parte 2.

Espero que durmas bem. Sobre as luzes das estrelas.






janeiro 19, 2011

A próxima vez

Amanhã é o aniversário do meu Pai. Por dentro estou em pulgas como se fosse uma criança de 5 anos no Natal. Sinto um prazer supremo em captar cada sorriso de surpresa e emoção em cada aniversário. E hoje quando fui comprar-lhe uma pequena lembrança depois de ter feito o Teste de Matemática (prova muito bem superada), dei por um pequeno espaço no centro comercial que foi renovado e agora é uma pequena pastelaria chamada 'Bake my day' onde os deliciosos cupcakes saltam à vista dos nossos olhos assim que o cor-de-rosa da faixa do nome da pequena pastelaria nos entra pela alma dentro.




Lembrei-me como aqueles metros quadrados podiam ser um pequeno café no sul de frança onde uma rapariga de sardas serve atrás do balcão e às mesas com um prazer inesquecível. Uma pequena aldeia onde todos se conhecem e não uma pastelaria sem clientes num centro comercial onde dois empregados encostados à máquina do café conversam com ar aborrecido. Mesmo assim não me fugiu a vontade miudinha de provar um daqueles bolinhos um dia destes. Um dia destes.

E hoje vou começar, finalmente, depois de um ano de procura o livro do Levy. Como gostava de te descrever já o final! É supremo e delicioso o modo como cada livro conta uma história diferente e nos transporta para um universo completamente diferente. Experimenta a sério. É um belo conselho que te deixo meu querido.

E para ti que lês esta mensagem, não te esqueças de passar pela " Mercearia da vila' no centro da vila de Cascais e trazer um saco de laranjas.Vão-te adoçar a alma.

















Bem vou-me preparando para o jantar de logo. Hoje a mana e o Gonçalo jantam cá. Já sinto borboletas no estômago por vê-los.












janeiro 17, 2011

Home is where they understand you


Nunca pensei que a Margarida me surpreendesse tanto. Não a minha irmã. Aquela de que é feita de palavras e que não consegue viver sem a escrita. A Pinto. Ontem li esta pequena frase no livro dela :"A história da humanidade esqueceu-se de contar a outra história, a história de todas as Penélopes..." e percebi que apesar do que as estatísticas dizem acerca do crescimento da mulher na sociedade do século XXI, nada mudou em relação ao espírito dos homens em relação a nós. Continuamos a sofrer em silêncio pelos erros cometidos por outros. Mas isto não vem bem à conversa no que vou contar-te hoje.

Há instantes estava a limpar a cozinha e aqueci um café para mim. Enquanto acabava de secar a loiça com um pano reparei numa caixa de CD's de chocolate da Hussel. 3 CD's que se faziam passar por Cd's de Jazz Pop-Rock entre outros géneros musicais. Apressei-me com a arrumação, dei uma varridela no chão e limpei o fogão . Coloquei uma colher de açucar no café e dirigi-me ao quarto para provar o chocolate que vinha dentro da caixa de CD's. Infelizmente não correspondeu às minhas expectativas. Minutos antes estava bastante desconsolada pelo facto de não ter um chocolate para acompanhar o café, mas foi então que olhei para a jarra que tinha 3 rosas vermelhas, que o meu pai trouxe ontem à noite quando veio do trabalho, já passara das 00h:00 e percebi que o chocolate era secundário. Todos os sítios perfeitos que imaginamos no nosso espaço de sonhos acabam por se desvanecer quando certas coisas acontecem na nossa vida.

Não vou desmentir e dizer que nunca sonhei com uma casa diferente, uma cozinha diferente e uma casa de banho bastante diferente mas os sonhos tendem a concretizar-se quando menos esperarmos. A luta para os alcançarmos é muito mais deliciosa quando apreciamos os pequenos nadas que a preenchem.


Não me fez diferença a pouca qualidade do chocolate. No final de contas o café fez as suas vezes sozinho.

janeiro 16, 2011

crepe de chocolate


Esta manhã enquanto ainda dormia o meu pai ao sair de casa despediu-se de mim com um beijo na testa e minutos mais tarde quando acordei, dei de caras com um pequeno rebuçado de limão em cima de mesa de cabeceira. Para muitos de voçês pode não significar muito, mas amo o meu pai por estas pequenas coisas. Pelos pequenos presentes pouco valiosos que me enchem o coração e me deixam de sorriso no rosto.


Comecei agora a ler o livro 'O dia em que te esqueci' da Margarid Rebelo Pinto e por vezes a minha memória enche-se de frases que tiro daqui e ali. É assim que eu funciono. Retenho tudo o que vejo, tudo o que ouço e tudo o que sinto. Sinto-me como um bebé em fase de crescimento e aprendizagem. Dou por mim sentada numa mesa de jantar no meio do centro comercial a fechar os olhos e ouvir os sons à minha volta. Fechei os olhos por poucos segundos (todos nós fazemos isso de vez em quando, senão inúmeras vezes) e a meio do jantar reparei no mesa pequena de dois onde estavam sentados frente a frente pai e filha pequena de 4 ou cinco anos. A ternura daquele pai dedicado fez-me regressar áquela imagem vezes e vezes sem conta. A príncipio pensei que apenas estariam à espera da mãe que fora buscar alguma coisa esquecida, mas não. Estavam apenas ali, pai e filha a desfrutar de um jantar a dois que nem dois enamorados. Foi assim que no final da noite de ontem me apercebi de que ainda existem coisas magníficas. Poucas mas existem.


E ainda me surpreendeu mais o facto de o rapaz da Pans and Company ter sido tão simpático comigo. Utilizou as tácticas de venda que dispunha e juntou-as a um sorriso e proporcioniu-me uma boa refeição. Noites felizes não precisam de ser passadas num restaurante de luxo.


Quero-te contar tudo. Dizer-te tudo o que senti naquele momento. Nos poucos segundos em que estive sozinha no meu da selva e peguei na caneta e no bloco e apontei tudo. Apontei todos os segundos que me proporcionaram naquele momento. Foi rápido mas bom.




Mas para acabar de te contar tudo tenho que te dizer que o senhor que vi o telemóvel com uma lupa do tamanho de um computador não me provocou riso. Achei-lhe graça. Achei-lhe graça pela simplicidade e pela honestidade das suas dificuldades.



Espero que te divirtas. Vive.






janeiro 14, 2011

corre Lola corre


Eis os acontecimentos do meu dia a partir das 14h da tarde das belas e saborosas sextas-feiras. Normalmente no meu íntimo, não costumo partilhar as vezes que se fazem passar por momentos extraordinários. Pequenas coisas que se tornam significativas e que merecem por consequênsia um lugar no meu blog.

Quando me dirigi para a livraria para comprar o bestseller do Marc Levy 'A Próxima Vez' vinha com a ideia colada na minha cabeça de que o livro provavelmente estaria esgotado ou simplesmente não havia na loja, e na verdade, estava certa.

Dirigi-me ao balcão de atendimento e dei de caras com um rapaz um pouco mais velho que eu, jeitos alegres, pele morena e cabelo preto. Alto. Perguntei pelo livro escondida nos meus pensamentos e esperei pela resposta. Aguardei e esperei em silêncio enquanto o rapaz procurava na sessão dos romances estrangeiros. Infelizmente estava certa, mas por alguma razão guardei aquele momento em que o beijo escondido nos meus lábios saltou de emoção enquanto o rapaz me confundia com a minha irmã e, quando me despedi ele pareceu desapontado com a minha partida. Um estranho sentir a nossa falta...coisa curiosa para alguém como eu.


No caminho "Tu és muito crítica em relação a mim. Não gostas do meu verniz. Não gostas do meu carro..." diz a mulher de cabelos curtos negros de mala ao braço e ponche cinzento. As amigas reunem-se ao pé do restaurante japonês. A loira nos seus cinquenta, a loira na casa dos vinte, a amiga morena de casaco amarelo e a morena dos vinte de caracóis. O encontro de ciclo começa . Enquanto a senhora de ponche afirma não gostar de comprar meias pega no copo de plástico exibindo o anel de diamantes e bebe o seu sumo de ananás. Fizeram-me lembrar a turtúlia do Sexo e Cidade em versão pouco alargada. E aos poucos senti pena delas. Senti pena pelos poucos momentos em família que teriam devido ao trabalho. O pouco amor que os filhos receberiam e os presentes exurbitantes que lhes tirariam o sorriso do rosto. As poucas vidas que os preencheriam seriam formadas por poucas alianças tradicionais.
E enquanto que a menina de pouca idade,que agarrava com toda a sua força a boneca de cabelos de lã loiro,s me encheu o coração de felicidade, o senhor que entrou no autocarro na vivacidade dos seus 70 e tal anos e que carregava consigo a mala castanha cheia de segredos, soprou um sorriso de saudade do tempo em que não eram precisos grandes gestos para se agradar. A rapariga furiosa por ter de ceder o seu lugar estaria provavelmente no seu direito. É um outro tipo de amor. Espero que não te importes que ponha isto em palavras, o quão maravilhosa a vida é agora que estas pessoas entraram nela. Apenas como estranhos claro, mas pertencem-me um pouco mais que caras conhecidas que derrubaram o meu coração mais que uma vez.


Passei com os dedos na minha pregadeira nova e sinto-me feliz por poder partilhar ainda uma dança ao som de 'Just the way you look tonight' .


Perdoa-me senhor pois eu não pequei. Contei-te a verdade. E a verdade é deliciosa (=

janeiro 13, 2011

Laços Eternos


Quando desisti das aulas de ballet, nunca pensei que fosse ser uma perda tão sentida como o foi anos mais tarde. Apercebi-me que a tradição e o invulgar fazem muito mais sentido do que pensamos têm letra grande e fazem parte da tinta velha já partida e encrustada das paredes do estúdio de dança.

Não choro por isso, não me arrependo, apenas lamento o que perdi. Vejo as fotografias e agora sorrio para o mundo como outra pessoa. Afinal já não sou criança nenhuma. Sou uma mulher, que ainda se apaixona por tudo e que dá tanto do seu coração como pode dar. Sou uma mulher de hábitos, e que ama cada ínfimo pormenor do que é quente na alma. Sou uma mulher crescida que pensa como uma criança. Que gosta de cozinhar pelo prazer que isso dá. Que repara na textura e nas cores da fruta e que sonha com uma dispensa com uma porta vermelha. Não tenho vergonha disso. Não tenho vergonha do nervoso miudinho que me aparece no estômago quando falo com alguém especial . Não tenho vergonha de escrever cartas e de admirar o batom vermelho. Não sou complexada, aprecio o sol de todas as manhãs e o cheiro a panquecas quentes pela manhã. Aprecio uma mesa cheia de comida e pessoas belas para conversar e rir.


A vida faz-se disso. De belos e curtos momentos. Eternos.
Brandy Montana-A Thousand Faces

janeiro 12, 2011

mail box


No outro dia reparei que tenho tido o diário hábito de ir verificar a caixa do correio todos os dias pela manhã. Faz-me sentir bem quando acordo ainda no silêncio da manhã e o sol espreita pelas frestas das portadas. É triste que tenhamos que as ter. Mas sim, não me incomoda assim tanto abri-las. Tomei-lhe o gosto. De respirar o ar frio da noite quando vou sacudir a toalha da mesa do jantar e de dar um mero passeio ao jardim ao fundo da rua para passear o cão ou observar a relva verde que de tempos a tempos é cortada para dar nova vida.

Não me imagino sem esses momentos. Porque no fundo são eles que se dignificam a eles mesmos sem sequer se darem ao trabalho de trair os seus praticantes.

De uma maneira ou de outra acabamos por viver acontecimentos que seriam impossíveis se não fosse a combinação do costume e do inesperado a actuar nas nossas vidas. Por isso, ainda guardo os sapatos de rebuçado que estavam no jardim. É como se estivessem à minha espera e a testar a minha curiosidade pela simplicidade de uns sapatos de vidro azuis marinho.

E sim não nego o desejo de me ver num lugar bem longe daqui. São desejos reais e imutáveis. Não seria também maravilhoso sair de casa e entrar pela porta de um café chamado 2ª casa? Sente o cheiro das tartelettes e das panquecas com 'golden syrup' ao estilo inglês. Ou simples marons franceses numa mesa tradicional numa casa de campo.

Às vezes consigo ouvir os pássaros nobres ao fundo do terreno, lá ao fundo onde as crianças se entreteem a comer morangos sem se importarem com as nódoas da camisa. E sim um sítio onde predomina o vestido branco e o batom vermelho.

Consegues imaginar ou só te passou pela cabeça um destes dias?

janeiro 11, 2011

boy




I'm scared because there's only one of you




janeiro 10, 2011

é apetecível

video
Give me your left hand.
What are you doing?
Dancing with you.On my shoulder.
We shouldn't. We can't.
Try not to lead this time, okay?
I, uh...
believe this is yours. It'll take you on your next trip. Even included the cooler.
We did everything to your exact specifications.
- Thank you, James.
- Thank you.
Bye, Sam.
Now, go try to break a few rules, huh?
You try to keep some.
- Forget something?
- Yeah.

janeiro 08, 2011

I'm happy this way


Mary, why do you wear those stupid red boots all the time? You wanna know why? Because it makes my toes feel like 10 friends on a camping trip, that's why.


pretty womam







janeiro 07, 2011


mann


I was driving too close to the edge and living dangerously

I felt strange a warm sensation rising up inside of me

Oh like a tidal wave came from nowhere swept me off my feet


Oh but somehow making me complete

janeiro 04, 2011

Barbra Streisand


What is exciting is not for one person to be stronger than the other...but for two people to have met their match and yet that are equally as stubborn, as obstinate, as passionate, as crazy as the other.

companhia dos elefantes

Esta é uma mensagem para ...quase todas as pessoas. És rapariga, rapaz, não interessa. Podes estar cheio de problemas, uns mais sérios que outros, podes estar com a cabeça a rebentar e pensar que foste amaldiçoado (a) pela praga da infelicidade, mas no fundo o que é que queres dizer com isso? És realmente infeliz ou isso é só um pretexto para teres companhia redobrada ou, pelo contrário, seres um infeliz miserável?

Não te deixes abater por favor. És jovem, não tens nada a perder. Não penses que os teus problemas não têm importância, porque têm, mas muito menos do que tu possas imaginar.

Imagina-te a fazer as coisas mais descabidas que alguma fez imaginaste, não te inibas, isso é para os fracos, compra postais e oferece a qualquer pessoa. Ama. Vai dar um passeio e não te escondas na porra do escuro. Namora. Beija os teus pais. Estuda com afinco, o suficiente para sorrires no final das contas. Dá-lhes um chuto no rabo. Um chuto bem grande na infelicidade.



É pra isso que cá estás. Para ser feliz.

janeiro 01, 2011

your song

Anyway the thing is...
What I really mean...
Yours are the sweetest eyes
I've ever seen.
http://www.youtube.com/watch?v=D9AFMVMl9qE

A new year, a new life.


Voltaria a fazer e voltaria a dizer. Não me arrependo de nada. O importante é agarrarmo-nos a quem nos amo e ao que amamos. Singirmo-nos ao inesperado e surpreendermos todos os dias.

Que venha 2011 para nós o arrasarmos.



E agora o Coliseu espera-me.