setembro 25, 2011

A faísca passou. A luz intensa provocada pelo sorriso malandro escondeu-se por detrás da face de vidro. Fugiste como um rapaz assustado. Não apareceste até há poucos dias. Ficaste suspenso no tempo na entrada da minha casa. Sorriste abandonado. Fechado em sete copas. Detectei-te a vergonha nos lábios. O receio no corpo irto agarrado à porta. Será que chegaste mesmo a falar? Foste engolido pela circunstância. Desculpas não te faltaram e o tempo escorreu fluido durante a tarde até que me acolheste nos braços do teu arrependimento e me cantaste ao ouvido. É sempre isto que fazes. São sempre estas as tuas manhas. A tua profundidade teatral das emoções. Sequestraste os meus sentimentos. Não. Não foi um sequestro. Eu deixei-me levar e deixei-me abraçar pelos teus adereços. A tua pele quente que me consolava e endireitava de todas estas temporadas às avessas. Foste tu quem me alienou do resto. Foste tu quem me deitou na tua cama sem me pedir amor através da carne. Cuidaste de mim durante a jornada nupcial embebida nas minhas tristezas voluptuosas. Quelqu'un M'a Dit- Carla Bruni

1 comentário:

  1. Ao ler isto é como se a historia fosse minha! :). É tão estranho mas ao mesmo tão bom pelo excelente texto! ****

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