janeiro 07, 2017

A morte é um sonho Teresa. Morreste-me. Arrancaste o bocado que faltava no meu coração. Agora fechei-o. Estranho continuar a ter o mesmo sonho por duas semanas seguidas: tu sorrindo para mim, acenando e dizendo apenas ' Está tudo bem'. Não está tudo bem. Morreste-me. Adeus.

fevereiro 25, 2016

Adoro os sapatos vindos de fresco das mãos do sapateiro, da mesma forma que adoro a masculinidade e a força dos teus braços. És infantil como o uniforme do velho que me arranja as botas.



janeiro 14, 2016

Talvez fosse da previsibilidade dos homens de negócios que se reuniam ali no restaurante, ou do vinho escorregadio na minha garganta. A surpresa de uma refeição, a minha face ruborizada pelo álcool e no fim a descida lenta pela calçada. Bebi depois um café numa esplanada na Avenida, ainda que as temperaturas baixas, mas nunca me soube tão bem uma brisa fresca com cheiro a alfazema. 
A noite fora fantástica.

dezembro 21, 2015

A Sara ensinou-me que ser mulher é mais que ter um corpo. É saber poetizá-lo em frente a um homem, e dizer que somos, existimos com respeito.
Com sorte estaria nos braços dele com um pouco de altivez e mais confiança porque a Sara me oferecera palavras sábias.

dezembro 12, 2015

De cada vez que vamos àquele maldito terraço desejo que se faça escuro. Obrigas-me a escrever, com esses olhos cobertos por pele velha. A superfície tão funda que é o teu olhar e eu sem saber o que eles observam.
Só desejo saber o conteúdo da tua direcção. Leva-me.

novembro 26, 2015

O melhor acontece quando nos unimos.

novembro 06, 2015

Hello

Não consigo esconder que sei que os nossos caminhos já se cruzavam de antes. Agora vamos lentamente caminhar para a única coisa que venho a prever: Os nossos corpos um no outro.

novembro 03, 2015

Let it go

Gostaria de ser eu, só hoje. De expandir-me no horizonte e poder deixar de ser uma miúda nas mãos de ninguém. Gostava de ser desses teus braços, fortes, corajosos e não ter que saltar da janela para enfrentar os lobos.
Hoje queria que não houvesse separação. O teu braço a cobrir-me os ombros cheios de frio, e eu bêbada de ti.


O sono do meu cão é do tamanho das vértebras da Odalisca de Ingres.






outubro 21, 2015

outubro 15, 2015

Promisse

A superfície bem menor que o interior. Aquele que o escuro da nossa casa nos deixa desvendar. Estamos de luzes apagadas mas sentimo-nos um ao outro, sem a vela acesa. 
E como saberia bem que soubesses que és o protótipo destas experiências mentais. Vamos lutar.




outubro 14, 2015

Acho que caí ligeiramente por ti.

outubro 12, 2015

Both sides now

Fechei a cortina para não deixar o escuro entrar. É, que meu amor, há uma luz que emanamos que precisa de ficar.


outubro 09, 2015

Lose yourself

Era pesada a sombra dele sobre a sua. O olhar muito carregado que induzia tantas vezes medo, como caminhar nos trilhos escuros da floresta imaginária da vida. Ele era afinal um sucinto laivo de brava brisa fresca. Muito forte. Forte. 

outubro 08, 2015

A miúda, eu, continuava a usar as jardineiras herdadas. Umas de ganga gasta, de alguns anos 70 da sua irmã mais velha, e que poderiam ser de algum negro americano que levara muita vida em cima de si. Ela levava-as no corpo, mais magro que a ganga, despreocupada. Caminhava pela vila com 23 anos e com o corpo enfiado em ganga. Agora pousava de boina vermelha e um batom de pêssego que ajudava os lábios a não secar com o frio.
Uma miúda na cidade sobrevivia assim.



outubro 07, 2015

A minha mãe insiste em cortar-me o cabelo. Sinto-me uma criança. Ainda mais quando ele encosta cruelmente os lábios no meu pescoço no lugar onde deveriam estar os cabelos enormes que me foram destinados. Ele repara no assunto e diz que pareço uma miúda nas mãos de qualquer pessoa. Nesse momento fiquei presa, mas nele. Deixei-o educar-me com beijos e quase quebrar. Fomos depois por elevadores diferentes. 

setembro 15, 2015

setembro 04, 2015

Caminhava pelas ruas do Alto dos Moinhos quase alagadas pelo céu que pronunciava chuva. Não me detinham com o meu casaco de algodão verde musgo, e a brisa corria à temperatura ideal.
Poderia demorar horas a chegar a casa, que eu não me importaria.