De há uns dias para cá tenho tido reminiscências de mimo-gaios. Eles cantam na verdade. Tenho-os ouvido nas imediações do meu quintal, quando de manhã me afasto da cama e perscruto o céu cheio daquelas nuvens de bandas desenhadas, nuvens tão perfeitas, como que desenhadas pelo sacrifício de um escultor. Eu, pelo contrário, sou o pintor de belas vestes que se mantém sossegado olhando a obra, de um cariz mais elevado.
Fui essa esta manhã. Ouvi o som dos pássaros, ainda sentindo os efeitos da enxaqueca do dia anterior, e sorri. Sorri não sei por que causa, talvez de saber que esse céu seria o mesmo do Wiltshire do livro de Naipaul. Sorri por desconfiar do mistério dos astros, por poder escrever sobre eles, ler sobre eles. Eu sou essa que cheia de perguntas tenta afastar o dois lados das rachas das estrelas agachando-me pelo seu interior adentro descobrindo maravilhas. Há imensas alegorias nos astros, talvez mais do que possamos imaginar.
Também existem mistérios nos homens, que por falta de materiais ou esforço permanecem intocáveis. Prefiro-os assim. Prefiro a terra aberta mas sem resposta, pois ela descansa melhor na ignorância dos astros.
abril 18, 2015
abril 10, 2015
Há uma balaustrada de sonhos na biblioteca da minha faculdade. É aí que falo com a Inês. Escondo segredos em livros, muitos deles intocados (menos humanos ou respectivos sonhos?) e um dia prevejo que desapareçam.
Há repetidas vezes em planeio um futuro melhor para as estantes. Faço esquemas mentais e projecções bastantes simples, que poderiam ser adoptadas por outros, mas o mundo ignora-as. Não há prontidão para a evolução.
Espero poder continuar a semear os sonhos da Inês, pois enquanto lá terão tecto.
Há repetidas vezes em planeio um futuro melhor para as estantes. Faço esquemas mentais e projecções bastantes simples, que poderiam ser adoptadas por outros, mas o mundo ignora-as. Não há prontidão para a evolução.
Espero poder continuar a semear os sonhos da Inês, pois enquanto lá terão tecto.
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