março 02, 2015

1914, Março. No canal de Suez, a bordo.

Opiário

Ao Senhor Mário de Sá-Carneiro

É antes do ópio que a minh'alma é doente. 
Sentir a vida convalesce e estióla 
E eu vou buscar ao ópio que consóla 
Um Oriente ao oriente do Oriente. 

Esta vida de bordo há-de matar-me. 
São dias só de febre na cabêça 
E, por mais que procure até que adoêça, 
já não encontro a móla pra adaptar-me. 

[...]

E afinal o que quero é fé, é calma, 
E não ter estas sensações confusas. 
Deus que acabe com isto! Abra as eclusas — 
E basta de comédias na minh'alma! 





fevereiro 27, 2015

Ouvi tanto sobre a vida, e hoje sopraram-me a morte. 
Nunca compreendi, ou então finjo. O homem que pereceu hoje naquela linha de comboio ia atrasado. Levava a vida na pasta do trabalho, e preguiçou a dar a volta pela substância interior da estação, e foi colhido. Precipitou-se.
A minha mãe comenta comigo a Ópera e Richard Clayderman, cujo CD compraremos no Domingo.
Não compreendo a vida no meio de tanta morte.