janeiro 16, 2015

Clandestinos do amor

O lugar parecia clandestino. Uma ucraniana de vestido bordeaux e botas de cano alto passeava-se pela cave escura, e ria às gargalhadas com o rapaz e a amiga. Eu não percebera o dialecto, mas algo naquela poeira de fumo e a distracção de todos pelos telefones me cativou.
"Enquanto olhares para mim eu sou eterna", gritou o rádio. Não havia inverno nessa noite. Apenas caras que não se conheciam num andar de baixo.
Somos clandestinos do amor
Odeio o estado do mundo. Há uma corrente de chuva que escorre pela plataforma da estação do cais, e tudo sofre.
Há um raio de luz que espreita do tecto e depois a humidade dos pensamentos.
Odeio o estado do mundo. E não posso fazer nada contra isso.