julho 03, 2013

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Eu ouvia-a gesticular em romeno com Sophie nos braços, a comer bolachas de água e sal, de olhos verde rio e cabelos finos louros. Via-a entretida na epopeia de amor com a filha e sentia inveja. Cólera, tristeza e vontade de escrever sobre ela. Escrever sobre a sala de leitores refastelada na sombra da luz ao fundo fora do janelão. Com os armários velhos de madeira gasta e clara forrados a rede de galinha. E dentro deles, a respirar, os livros antigos, provavelmente intocados há muito tempo. Aquela sala teria atravessado décadas sem um pouco de amor pelas paredes. E eu quis escrever sobre ela. Sobre uma hora dentro dela.


a história

Hoje o governo cairá às quatro da tarde. Demitir-se-á de si mesmo como forma de protesto. Mas que país é este que se desfaz dos compromissos a que aderiu no príncipe de si mesmo? Com 21 anos penso que liderança será suficientemente perspicaz para não excluir a cultura do avanço de uma nação. Temos de ser racionais. Temos de aderir ao egoísmo, ser extravagantes e audíveis.
Não basta esperar, porque a espera, essa, já matou muita gente.
Hoje com 21 anos espero a queda de um governo e a reconstituição dele mesmo com o auxílio de quem sempre lhe deu motivos para existir. SE hoje o governo cair votem, sejam extravagantes, gritem e gritem nas eleições. Façam gritar com a cruz a caneta do papel com a vossa escolha.
É agora que temos oportunidade de mudar. É agora que somos todos capitães.
Deixem-se de merdas. Isto não é literatura, é a aberração da realidade.