tenho um carinho especial pelos acordes sádicos da música clássica, porque quando eles surgem invadem a casa com pouca velocidade ora pela manhã, ora durante a tarde e quando a noite me penetra no âmago.
Chopin em particular amolece tão tacitamente os móveis e deixa um resto de luz sobre o pó da casa. A recordação de que o tempo passa.
Lembra-me o sonho eterno da casa de campo em França e as folhas inundadas de literatura desconhecida.
Dentro do poder alcoólico do passado eu posso escrever. Eu escrevo.
