no Domingo passado apaixonei-me por um velho de barbas brancas. Vestia uma gabardine verde tropa. Colocou o jornal em cima da mesa. Retirou a caneta do compartimento secreto do casaco, e destilou a realidade evaporando para as palavras cruzadas do jornal.
Quis desistir de ir ver o filme. Aquele cenário era o mais atraente de todos.
Queria dizer-lho.
abril 06, 2013
abril 05, 2013
08h38
sempre que o tempo adoece inclino-me para as convulsões mentais. Coisas saudáveis claro. Por vezes o frio aperta-nos tanto a pele que desejamos espevitadamente a certeza do verão. A segurança dos dias vazios mas ainda assim aproveitados. Todas as viagens que imagino no frio gelado acontecem no verão.
A rapariga russa que estava no comboio esta manhã é cozido à portuguesa e a banca de frutas em Istambul. O saco de laranjas , a história de amor que todos adivinham perversa, mas que seria salva pelo flagelo de um homem inteligente, que falasse noutra língua. A minha felicidade baseia-se nos pequenos sinais diários que me relembram as histórias dos livros,e, que aos poucos me dão oportunidade para construir a minha.
As pequenas vitórias que me lembram das palavras do Amadeu. Que me lembram a Estefânia. Dessa cruzada pelo comboio português até Salamanca. Detesto banalidades. Pode-se falar da condição humana de uma forma tão brilhante, e no entanto, ninguém se lembra dessa esfinge. Cingem-se todos a literaturas baratas, que alimentam a falta de ânimo.
Quando morrer só desejo ter o espírito aberto, para que me chorem apenas o corpo, e a alma? Essa, guardem-na em fotografias.
Subscrever:
Mensagens (Atom)