dezembro 31, 2012

são desejos

Hoje à noite será o princípio de uma coisa nova. Acho que acabamos todos por sentir nervoso na barriga e fechar os olhos com força durante uns segundos. Hoje apetece-me explicar-vos o que me passa na cabeça nesses cinco segundos de todos os fins de ano.
Há muita gente que se esquece de olhar para o lado e de fechar os olhos também. Às vezes nesse compasso  de tempo minúsculo vemos acontecer todas as coisas nos nossos olhos. Lembro-me de corrigir erros, de pegar em espadas e lutar por terras que ninguém conhece. Lembro-me de chorar por quem já gastou as lágrimas e precisa de palavras, e lembro-me de pedir muito. Pedir vidas. Pedir rostos. Pedir mais e mais histórias. Pedir que essas vidas não se acabem, porque se acabarem eu deixo de fazer sentido.
Por isso, hoje quando esses cinco segundos chegarem lembrem-se de fechar os olhos. Lembrem-se de pedir perdão e de pedir vidas. Lembrem-se de ser bons. Sejam bons.

Obrigada :)

Feliz 2013!      

dezembro 29, 2012

ficaste na praia

Lembro-me de andar na praia cheia de vazio. O horizonte afirmava-se ao longe enquanto a areia nos engolia os pés.
Estávamos calados. Tudo o que conseguíamos fazer era calar as palavras porque não tínhamos nada para dizer um ao outro. Há muito tempo que tínhamos deixado as palavras para segundo plano e talvez fosse isso a matar a nossa relação.
E enquanto olhava à minha volta e nos via a andar no areal espanhol pensava no quanto tinhas deixado por dizer. Pensava em ti, que já não conseguias olhar para mim. Tinhas ficado cego há muito tempo. Durante essa ausência tinhas deixado de me amar, pelo menos a parte que achavas que ainda amavas em mim.
Toda a viagem era uma mentira, e ao invés de ser perfeita, deixou-nos aos tombos sem palavras para dizer um ao outro.
Lembrei-me tantas vezes dessa praia. Lembrei-me tantas vezes que não queria perder o que me passava pelo olhos, mas hoje foi a última vez que me lembrei, porque quando olhei em redor, era o jardim que estava perfeito. A luz que batia nas árvores e desenhava sombras nos prédios. Não era a praia vazia com palavras por dizer, era o jardim que eu tantas vezes me esquecia de olhar, e que no fundo tinha tanto por dizer.
E hoje não te vi por lá. Foste embora com as palavras.