abril 07, 2012

seguramos-te, porque o amor é uma visão

Nós já chegámos a casa há muito tempo e agora o tempo é pó, porque gastámos muitos dos minutos dele a tentar encontrar o caminho na direcção da porta e agora que chegámos a casa já não falamos. Já não escrevemos uns aos outros e o que dizemos não sustenta o que cobre o coração. O que nos mantém ainda são as mãos junto à cintura, unidas, mas não há calor já reparaste? Perto desse toque o frio congelou tudo e por isso é que nenhumas das palavras que queremos dizer nos saem da boca. Uns porque o vento as roubou, outros porque a coragem desapareceu e acabaram por enterrar as palavras no jardim. Eu ainda tenho palavras por cima da nossa terra. Apesar de abençoar o chão sei que precisamos de largar os sentimentos dentro das palavras para te ouvirem e eu estou farta que não te ouçam. Estou farta que hajam muitos silêncios que não dizem nada ou que dizem tudo menos o que é suposto ser a verdade da tua alma. Tu não tens uma alma. És uma alma. Tens um corpo. Por isso deixa-te escrever na história que tens medo de viver. Há coisas que vão existir e vão existir com um sorriso. E tu já nasceste. Falta a tua história sorrir.

abril 05, 2012

mundos pequenos

Sabes o que são os sonhos? Já descobriste que sonhos são esses os teus e os que pertencem ao outros num outro tempo onde não viveste? Eu sei que já percorri muitas terras e que quando finalmente me encaixei numa realidade oferecida tive a oportunidade de sonhar muitas coisas, e algumas delas contam histórias diabólicas e sem sentido. Eu nunca percebi a outra forma dos sonhos, aquela de não se realizarem. Eu nunca entendi o porquê dessa indiferença que os outros têm por nós até reler essas histórias endiabradas e ver bem o que tinha à minha frente. Mas as histórias não deixam de existir porque crescemos e agora mais que tudo eu quero entender a matéria fibrosa dos sonhos. Eu sempre quis perceber de que matéria é feita a nossa imaginação e até onde podemos ir quando assentamos o rosto na almofada. Sem isso não sobrevivemos nesta selva. Sem dicionário não deciframos as palavras que estão destinadas à descoberta e eu quero descobrir tudo o que há para descobrir. Eu não sou apenas a Alice que andou num país de maravilhas, eu quero ser outro tipo de Alice que cortou os cabelos louros e correu pelos mundos todos até encontrar o lugar recôndito da terra onde os papagaios sussurram e onde os elefantes cantam. E passando pequenas notas pelos pombos e dançando em frente a fogueiras as terras são descobertas enquanto dormimos. Eu hoje quero acordar e encontrar ainda assim esses mesmos mundos contrários que sonhei porque eu não quero apenas ver com a alma, eu quero ver com o corpo. O corpo que um ventre antigo entregou a outro mundo ainda mais antigo.