janeiro 25, 2012
Os nossos casacos vermelhos
Ali não há o retrato sujo da inocência. Eu já fui como tu. Não tive a coroa negra na raiz dos olhos, mas tive esses dedos pequenos e essa razão que todas as crianças têm. Eu também me deixava mergulhar pelo silêncio e tinha receio da altura de ambos os meus lados.
O mundo encarrega-te de te tornar numa certeza cheia de dúvidas, esculpida num corpo que tem vivido mais estreito, mais frágil mas mais capaz, cada vez mais perto da fronteira dos desafios. Ali, naquelas terras que observavas à tua volta, não existe o escuro, eu percebo. É fácil mentir onde ninguém percebe a mentira e por isso é que negavas todas as ofertas que a tua avó fazia. Ela estava muito longe, tu estavas do outro lado da barreira e comias gelados com os olhos sem te entregares à tristeza. Talvez te formes no meu inverso mas tens ali bem perto das pontas dos dedos a magia a querer sair, a querer fugir para fora do corpo. A única coisa que aprendi desde então foi que muitos olhos são cegos. Carpem e cospem a magia das mangas dos outros, mas eles mesmos vestem casacos de manga curta. Para eles não existe limite, para eles não existe céu e nenhum deles tem uma gabardina vermelha como a nossa.
janeiro 21, 2012
do you believe in Santa Claus?
Já alguma vez olhaste na cara de uma criança e viste o rosto de a quem se diz que o Pai Natal e o Coelho da Páscoa não existem?
É o rosto da morte dos sonhos. É o rosto da desilusão.
Qual o melhor caminho a escolher? Qual a vantagem de não acreditares? O que perdes em acreditar? Existem crianças que sabem. Eu sei. A vida não ta dá tão facilmente . Não te é suposto escolher entre a desgraça e a felicidade. As vidas não se constroem por esse caminho. A direcção do sucesso não se conquista pelo único andar. É assim que te tornas crescido, na penumbra da negação da tua existência ou na possibilidade de seres o que quiseres? Como é que lutas mais pelo respirar e pelo fôlego da vida? Tu existes onde tiveres que existir. Cairás nos abismos que tiveres que abraçar e a miséria vai-te dar a mão na circunstância do acaso. Faz-te ao destino porque a sorte faz-se, não se impõe ou retira no olhar de uma criança de 6 anos que caminha com a esperança embrulhada nas mãos.
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