fevereiro 03, 2011

a alma dos poetas


Ora pensando bem, acho que todos nós temos um pouco de poeta por dentro. Podemos até nem ter consciência desse pequeno penhouro mas ele existe, grita talvez e exibe-se em certas alturas do dia. Comigo acontece a muitas horas e a muitos dias que já lá vão no carris do tempo e que foram preenchidos por vidas inocentes.

E hoje parece que nem tenho muita inspiração. Menos do que o que o poeta desejava. Falta-me algo. Apenas ouço um som do triângulo no ar a lutar contra o descontentamento e infelicidade dos dias pobres, ausentes. Dias como estes não deveriam ter lugar na agenda.

Mas reflectindo melhor, têm a sua cota parte de direitos. Sem eles não existiriam os dias a que chamamos bons. Dias de vitória. Dias que sabem a tudo. Dias até que sabem a muitas coisas menos àquelas que queremos definir com palavras. Pelo menos palavras que existem no dicionário das emoções.Por isso poeta, deixa-te estar quieto, em silêncio para que no próximo dia saias vitorioso e saltes cá para fora para veres o mundo como ele o é.


janeiro 29, 2011

I'm into...


Não sei se muita gente ouve Beethoven ou aprecia qualquer tipo de música clássica. Compreendo. Mas ás vezes se fecharmos bem os olhos, nem que seja no meio da rua, sem medos e sem vergonhas, ou no meio de centro comercial e escutarmos com atenção lá está ele. Um zumbido pequenino que se transforma em magia e nos entra pela audição em forma de violinos e flautas transversais. Eu acho bonito. Aliás admiro muitas coisas. Já gostei mais de coisas estúpidas e imbecis, e ainda continuo a gostar um pouco. Persisto em conservar a parte de mim que sei que toda a gente vai reconhecer daqui a muitos anos. É isso que nos define. O nosso sorriso, o nosso choro, o nosso jeito de andar e até o modo como pousamos delicadamente ou não um copo em cima da mesa. A maneira como observamos os outros pelo canto dos nossos olhos e até mesmo a cor deles. Azul, verde e os castanhos. Os castanhos que eu tanto adoro e não tenho. Sou filha de Carneiro mas sou peixe. Sou peixe que nada em águas azuis mas que às vezes tem medo de enfrentar os tubarões.

Já fui menos capaz de enfrentar os males do mundo. Hoje aceito-os ,repelo-os de todas as maneiras mas de vez em quando até os ignoro. Continuo a preferir o outro lado do mundo. O lado que atravessa a parede transparente e se desfaz em coisas bonitas.

Gostava de perceber porque raio não consigo dar o salto de lá que muitas vezes precisava, gostava tanto de saber. Eu gostava de fazer e ter muitas coisas. Não gostava de ter muito dinheiro, não porque não precisasse mas porque sei que iria ser mais sozinha com ele e a minha vida seria mais vazia de compaixão e amor. E eu sempre precisei e sempre vou precisar do amor para sobreviver a este caos da minha vida.

Eu gostava de conseguir andar de saltos altos pelo menos durante uma noite. Gostava de dançar com um vestido preto bonito e gostava que me levassem a jantar num sítio calmo e agradável. Gostava de ver os golfinhos de perto e poder tocar-lhes. Gostava de ver os esquilos em Londres e de provar o vinho do Sul de França.

Gostava de gostar menos dos outros e infligir menos dor a mim própria. Gostava que muitas crianças do mundo pudessem adormecer descansadas numa cama decente. Gostava de poder dar uma cama a todos os meninos e meninas que precisassem até que o IKEA ficasse sem stock de camas e lençóis.


Se ganhasse o euro milhões não contava a ninguém. Fazia tudo às escondidas surrateiramente e fazia pequenos milgares para aqueles que mais amo. Gastava o dinheiro em realizar os sonhos da minha família, da minha melhor amiga, do meu cão e aí depois partia para aquelas que saberiam tomar bem conta dele. The children.



Gostava de fazer essas coisas todas, porque sem desejos não conseguimos viver. Sem isso e sem objectivos morreríamos de tédio num instante .


Gostava de receber a melhor surpresa da minha vida no meu aniversário. Não precisava se prendas nenhumas, e que Deus o diga, que gostava tanto de puder dar um beijo a cada uma das pessoas que me fazem falta nesse dia. Seria o melhor aniversário que eu poderia ter.



Eu gostava.